Sinal de alerta:

Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramento, tontura ou desmaio, sonolência ou confusão, falta de ar, extremidades frias, pouca urina ou piora após a febre diminuir exigem atendimento imediato. Não espere novo exame nem se automedique.

O que é dengue?

Dengue é uma infecção causada pelo vírus da dengue e transmitida principalmente pela picada da fêmea infectada do mosquito Aedes aegypti. Existem quatro sorotipos do vírus; por isso, uma pessoa pode ter dengue mais de uma vez ao longo da vida.

Muitas infecções provocam poucos sintomas, mas outras causam febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, náusea, cansaço e manchas na pele. Uma parte dos casos evolui para dengue grave, com perda de líquido dos vasos, sangramento importante ou comprometimento de órgãos.

A doença é dinâmica: a classificação e a conduta podem mudar em poucas horas. Por isso, receber orientação sobre hidratação, retorno e sinais de alarme é tão importante quanto realizar um teste.

Quais são os sintomas mais comuns?

A dengue costuma começar de forma súbita. Nem toda pessoa apresenta todos os sintomas, e gripe, covid-19, chikungunya, zika e outras infecções podem produzir quadros parecidos. A circulação dessas doenças na região e o exame clínico ajudam na avaliação:

  • Febre alta de início repentino, geralmente por dois a sete dias;
  • Dor de cabeça, dor atrás dos olhos e sensação de fraqueza ou prostração;
  • Dores nos músculos, nos ossos ou nas articulações;
  • Náusea, perda de apetite e, às vezes, vômitos;
  • Manchas avermelhadas e coceira na pele;
  • Pequenos sangramentos podem ocorrer, mas todo sangramento deve ser informado na avaliação.

As três fases da dengue

Na fase febril predominam febre e dores. Em geral, ela dura de dois a sete dias. A fase crítica, quando acontece, costuma começar justamente quando a febre diminui, mais frequentemente entre o terceiro e o sétimo dia. É nesse período que podem surgir sinais de alarme e queda da circulação.

Depois vem a fase de recuperação, com melhora do estado geral e reabsorção dos líquidos. Coceira, cansaço e alterações na pele podem persistir por algum tempo. Melhorar da febre é um bom sinal apenas quando também há melhora do estado geral e ausência de sinais de alarme.

Sinais de alarme: procure atendimento imediatamente

Os sinais de alarme sugerem maior risco de evolução para dengue grave e precisam de reavaliação sem demora. Eles podem aparecer quando a temperatura já está normal, por isso não espere a febre voltar:

  • Dor abdominal intensa e contínua ou sensibilidade importante na barriga;
  • Vômitos persistentes ou incapacidade de manter líquidos;
  • Tontura ao levantar, sensação de desmaio, desmaio, palidez ou extremidades frias;
  • Sangramento no nariz ou gengiva, vômito com sangue, sangue nas fezes, urina ou sangramento vaginal fora do habitual;
  • Sonolência excessiva, irritabilidade, confusão ou fraqueza intensa;
  • Falta de ar, respiração rápida ou inchaço que surge durante o quadro;
  • Pouca urina, sede intensa ou piora evidente após a febre diminuir.

Quem precisa de avaliação mais cuidadosa?

Gestantes, bebês, crianças pequenas, pessoas com 65 anos ou mais e quem vive com diabetes, hipertensão, doença renal, doença cardíaca, asma ou outras condições crônicas têm maior risco de complicações. Pessoas que usam anticoagulantes ou antiagregantes também precisam informar os medicamentos desde o primeiro atendimento.

Esses grupos podem precisar de exames, observação ou retornos mais próximos mesmo sem sinais de alarme. Não suspenda medicamentos de uso contínuo por conta própria; leve a lista completa ao serviço de saúde.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela história, pelo exame físico e pela situação epidemiológica. O profissional avalia hidratação, pressão, frequência cardíaca, sangramentos e sinais de alarme. Hemograma e outros exames podem ser solicitados conforme a fase e a classificação de risco.

Testes que identificam o vírus ou seus componentes são mais úteis nos primeiros dias; testes de anticorpos costumam ter melhor rendimento mais tarde. Um resultado negativo, se colhido fora da janela adequada, não encerra sozinho a investigação. A conduta diante de sinais de alarme não deve esperar a confirmação laboratorial.

A contagem de plaquetas é uma informação do conjunto, não um termômetro isolado da gravidade. Evolução clínica, pressão, hidratação, hematócrito e outros achados também importam.

Hidratação e acompanhamento

A reposição adequada de líquidos é a base do cuidado. A quantidade e a forma de hidratação dependem do peso, da idade, da presença de vômitos, gravidez, doenças cardíacas ou renais e da classificação clínica. Por isso, siga o plano fornecido no atendimento, em vez de adotar um volume fixo encontrado na internet.

Quando a pessoa consegue beber e recebeu orientação para cuidado em casa, líquidos podem ser oferecidos em pequenas quantidades e com frequência. Água, soro de reidratação e outros líquidos orientados pelo serviço podem fazer parte do plano. Incapacidade de beber, vômitos persistentes ou redução da urina exigem reavaliação.

Compareça ao retorno mesmo se a febre tiver acabado. Leve o cartão de acompanhamento, resultados de exames e a lista de medicamentos utilizados.

Medicamentos que exigem cuidado

Não existe antiviral específico para curar a dengue. O tratamento busca manter hidratação, aliviar sintomas com segurança e reconhecer complicações cedo. Não use medicamentos de outra pessoa nem combine remédios por conta própria.

Ácido acetilsalicílico, também chamado AAS ou aspirina, e anti-inflamatórios como ibuprofeno, diclofenaco e nimesulida podem aumentar o risco de sangramento e devem ser evitados quando há suspeita de dengue, salvo orientação médica específica por outra condição. Ivermectina e antibióticos não tratam o vírus da dengue.

Quem usa anticoagulante, antiagregante ou medicamento contínuo deve procurar orientação individual. Não interrompa uma prescrição importante sem avaliação, pois tanto manter quanto suspender pode envolver riscos.

Como prevenir a dengue

O Aedes costuma picar durante o dia, embora possa picar em outros horários. A prevenção combina eliminação de criadouros e proteção contra picadas. O mosquito pode se desenvolver em pequenas quantidades de água parada:

  • Tampe caixas-d'água e reservatórios e mantenha calhas, ralos e lajes sem acúmulo de água;
  • Esvazie pratos de vasos, garrafas, pneus e recipientes; escove as paredes quando necessário para remover ovos;
  • Use telas, roupas que cubram a pele e repelente registrado, seguindo o rótulo para idade, gravidez e reaplicação;
  • Faça uma inspeção semanal dentro e ao redor de casa e comunique focos persistentes ao serviço municipal;
  • Consulte o calendário oficial sobre vacinação, pois faixas etárias e municípios contemplados podem mudar; a vacina não substitui o controle do mosquito.

O que anotar durante a doença

Um registro simples ajuda a perceber mudanças: dia de início dos sintomas, horários da febre, quantidade aproximada de líquidos, número de micções, episódios de vômito, sangramentos e medicamentos utilizados. Anote também quando a febre diminuiu e como ficou o estado geral.

Se houver piora, leve essas informações ao atendimento. Não espere o resultado de um novo exame diante de dor abdominal intensa, desmaio, sangramento, falta de ar ou alteração da consciência.

Conteúdo em vídeo

Sintomas da dengue

Explicação educativa sobre os sintomas da dengue. O vídeo complementa o artigo e não substitui avaliação presencial.

Fonte: Drauzio Varella
Respostas diretas

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre o tema, respondidas de forma simples e responsável.

Quando a febre baixa, a dengue acabou?

Não necessariamente. A fase crítica pode começar quando a febre diminui, geralmente entre o terceiro e o sétimo dia. Observe dor abdominal, vômitos persistentes, tontura, sangramento, sonolência e piora do estado geral.

Dengue sempre dá febre?

Febre é comum nos casos sintomáticos, mas nem toda infecção segue o padrão clássico. Pessoas idosas, crianças pequenas e pessoas com outras condições podem apresentar manifestações menos típicas; o contexto e a avaliação clínica importam.

Posso ter dengue mais de uma vez?

Sim. Existem quatro sorotipos do vírus, e a infecção por um deles não protege de forma permanente contra os demais. Uma nova infecção pode acontecer e merece a mesma atenção aos sinais de alarme.

Plaquetas baixas significam dengue grave?

Não isoladamente. A tendência das plaquetas ajuda no acompanhamento, mas gravidade é definida pelo conjunto clínico, incluindo circulação, sangramento, hidratação, hematócrito e comprometimento de órgãos.

Um teste negativo descarta dengue?

Depende do tipo de teste e do dia da doença. Testes diretos funcionam melhor no início e anticorpos aparecem mais tarde. Um resultado negativo fora da janela adequada não exclui sozinho a dengue.

Qual remédio não pode ser usado na suspeita de dengue?

Evite AAS/aspirina e anti-inflamatórios como ibuprofeno, diclofenaco e nimesulida, pois podem aumentar sangramentos. Não se automedique e informe todos os medicamentos em uso ao profissional.

Dengue passa diretamente de uma pessoa para outra?

A transmissão habitual ocorre pela picada de mosquito infectado, não pelo contato cotidiano, abraço, tosse ou compartilhamento de objetos. Transmissão na gestação ou por sangue é rara.

Dengue, zika e chikungunya são iguais?

Não. São infecções diferentes transmitidas pelo Aedes e podem ter sintomas parecidos. Dor articular intensa e prolongada chama atenção na chikungunya; coceira e manchas podem predominar na zika. Só a avaliação consegue diferenciar com segurança.

A vacina elimina o risco de dengue?

Não. Ela é uma ferramenta de prevenção, mas não oferece proteção absoluta e a estratégia do SUS depende de faixa etária e local. Mesmo vacinado, elimine criadouros e procure atendimento se surgirem sinais de alarme.

Quando devo voltar ao serviço de saúde?

Volte na data orientada e imediatamente diante de qualquer sinal de alarme, incapacidade de beber, redução da urina ou piora após a febre baixar. Grupos de maior risco podem precisar de reavaliação mais próxima.

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Referências bibliográficas e fontes consultadas

Este conteúdo foi elaborado com base nas publicações abaixo. Os links direcionam para as páginas, diretrizes ou documentos originais.

  1. Brasil — Ministério da Saúde

    Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança

    Acessar fonte original
    Diretriz
  2. Brasil — Ministério da Saúde

    Dengue — Saúde de A a Z

    Acessar fonte original
    Página
  3. Brasil — Ministério da Saúde

    Fluxograma do manejo clínico da dengue

    Abrir PDF original
    PDF
  4. Organização Mundial da Saúde — OMS

    Dengue and severe dengue

    Acessar fonte original
    Página
  5. Hospital Israelita Albert Einstein

    Dengue: quais remédios podem ser usados e quais devem ser evitados

    Acessar fonte original
    Página

Referências verificadas em: 24/08/2026.